Eu não sei você, mas não tenho nenhuma dificuldade em pensar a eternidade da vida olhando para o horizonte. Como não deve ser maravilhoso viver eternamente e ter, literalmente, todo o tempo do mundo pra fazer tudo o que gostaríamos de fazer. Eu colocaria como meta eterna visitar todos os lugares e conhecer todos os povos. Considero essa uma perfeita meta eterna, já que eu me demoraria no aprendizado de cada povo visitado e tal demora me levaria a passar séculos ao redor do globo até visitar cada cantinho deste nosso velho-novo mundo geográfico. Mas os povos não param de mudar. Creio que Heráclito concordaria comigo: visitar o mesmo povo duas vezes, após décadas já seria uma tarefa muito difícil, passando de cem anos, então, nem se fala.
Pensar a eternidade de uma vida iniciada, passa então a se tornar uma possibilidade. Alguns poderiam argumentar no sentido da inquietude da alma humana em menosprezar a ausência do fim, tal qual percebemos nas histórias de vampiros que, quer na literatura ou na sétima arte, acabam querendo entregar a própria não-vida a um fim, cansados que estão de ver o ciclo da vida, dos que as possuem, em realidade. Contudo, tal argumentação ignora o fato de que essas figuras quase humanas, fruto da criatividade e angústias reais vividas por seus autores, são obrigadas a conviver com uma espécie fisicamente inferior, portanto, mortais, e suas relações desnudariam um espécie de déjà vu constante, devido sua permanência no mundo dos vivos por sucessivas gerações.
Amigo, acorde! Os que fazem afirmações como as descritas acima deixam de pensar nos benefícios da vida sem fim. Não pensar em termos de tempo perdido é um desejo de todos os que se incomodam com o sistema de produção capitalista. E para os capitalistas, ainda mais! Pela lei da oferta e da procura, a expressão "tempo é dinheiro" deixaria de ter qualquer peso. O filme "In Time", que no Brasil recebeu o nome de O Preço do Amanhã, é uma boa dica para pensar um pouco sobre isso (apesar de alguns pequenos problemas no roteiro. Clique aqui para ler a crítica). Mas, sabe como é, a eternidade está no coração do homem, no entanto sua mente é finita demais pra acreditar incondicionalmente no coração.
Eliton de Almeida
Mestrando em História pelo PPGH-UNESP/Franca
Professor de História, Sociologia e História da Arte

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